sexta-feira, 21 de março de 2014

32 semanas

     Casa de ferreiro, espeto de pau, já diz o velho ditado popular.
     Em casa de engenheiro, houve vários problemas na execução da obra, em casa de filha de fotógrafo, com a correria não conseguimos fazer um simples registro de uma foto por mês durante a gestação, em casa de psicóloga fiquei deprimida durante a gravidez. Eis que aqui em casa esse dito popular se provou verdadeiro.
     Agora, já com 32 semanas, tenho me sentido bastante triste, me preocupo muito se vamos conseguir terminar de organizar a casa antes da chegada do Galileu, sim, organizar, porque ficar do jeito que havíamos planejado já está fora de cogitação. Ainda não conseguimos terminar o quarto dele,  falta pintura, reforma de móveis, montagem do berço, sem contar o resto da casa, que está de pernas para o ar.
     Além dessa preocupação, outro fator que tem me deixado pra baixo é o fato de que me canso muito rápido, mas muito rápido mesmo, meus pés têm ficado muito inchados e tenho sentido dores muito fortes no quadril, portanto, perdi totalmente minha independência e minha autonomia, pra mim nunca existiu "serviço de homem" que eu não pudesse fazer, agora mal faço algumas tarefas domésticas rotineiras, preciso ir parcelando pra sentar e descansar um pouco.
      Ao mesmo tempo que me sinto muito pra baixo, sinto também muita culpa, porque, é óbvio, eu vou ter um bebê, eu e ele estamos saudáveis, eu tenho o dever de estar feliz! Mas não é bem assim que as coisas funcionam. Venho lutando dia a dia pra não me deixar levar por esse desânimo todo.
     Tivemos consulta nessa semana e conversei com meu médico sobre a dor no quadril, ele disse que é normal, que o quadril está se alargando porque o bebê está encaixando, voltamos ao assunto do parto, e novamente saí de lá mais cheia de dúvidas. Segundo ele, se fizermos cesariana vamos agendar para, no máximo, dia 2 de maio quando estarei com 38 semanas, mas se formos esperar pelo parto normal, de acordo com ele, podemos esperar até dia 10 de maio (40 semanas), mas só faremos isso se tudo continuar assim tranquilo até lá. Já estava praticamente decidido que eu faria a cesariana, mas agora voltei a pensar no assunto, e não tenho mais certeza. Ah, a partir de agora as consultas passam a ser quinzenais, e não mais mensais.
     O Galileu está bem grande, e se movimenta muito o dia todo, e as madrugadas têm sido bem agitadas, preciso levantar pelo menos 2 vezes para ir ao banheiro, e a cada vez que vou me virar na cama, acreditem, é mais difícil que fazer baliza do lado esquerdo da rua em uma vaga super justa, são muitas manobras. E olha que eu sou boa de baliza!
     Unindo-se a impossibilidade de dormir a noite toda, sofri bastante com a gastrite nessas últimas semanas, isso, juntando-se a dor e ao cansaço, nem preciso dizer o reflexo que tem sobre meu humor.
     É o lado B da gravidez, que ninguém te conta, que ninguém vê. Só quem passa por isso sabe.
   Mas, tem coisa boa também, o Cezar está mais calmo, e por consequência mais compreensivo e carinhoso, isso está me ajudando muito mesmo a me acalmar em momentos de crise.
     Meus pais nos convidaram para passar o fim de semana em Francisco Beltrão, pra sair um pouco daqui e distrair um pouco, fiquei naquele dilema, se ficamos conseguimos adiantar algumas coisas da arrumação no fim de semana, se vamos nos distraímos, mas as coisas vão continuar bagunçadas por mais um tempo. Pra quem está correndo contra o relógio, está difícil decidir.
     Por enquanto, vou pra cama porque mereço um descanso.
     Bom fim de semana a todos!
     

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